Futebolistas evangélicos negam abraço a crianças com lesão cerebral

Para demonstrar que até mesmo os pastores evangélicos às vezes dizem coisas sensatas - bem ao seu modo místico, é claro - taí reflexão sobre o lamentável episódio envolvendo os jogadores do Santos-FC numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz ( www.mensageirosdaluz.org.br que cuida de crianças com deficiência cerebral) para entregar ovos de Páscoa. Uma parte dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e preferiu ficar dentro do ônibus do clube, sob a alegação que são evangélicos.

 

Reflexão para a paz
Por Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde pequenininho. 

 

Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.

A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.

 

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.

Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.

 

Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.

 

O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.

 

A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.

 

E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.

 

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.

 

Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

 

Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.


 

Views: 23

Replies to This Discussion

Caro Alan eu concordo em parte com o que tu disse, concordo em que a religião ou qualquer mistica agregada ao preconceito e a intolerância, o que estão sempre juntas, leva as as pessoas a se afastarem, os dogmas levam a separar as pessoas, lhe garanto que um espirita não entra em um "templo" evangélico para rezar pelas almas, pelo mesmo motivo que os evangélicos não entram em uma casa espirita, não coloco o espiritismo em algum nivel superior de outras crenças, o espiritismo assim como o catolicismo e o islamismo, para citar tres, estão no mesmo nivel de crença e dogma, baseiam suas verdades em invenções e em definições pessoais, nada certo mas tudo correto, não vejo vantangem em ser espirita ou evangélico, qualquer um dos dois estão inchados de mentiras e dogmas controladores, o mesmo efeito que se tem em um evangélico se tem em um espirita, todos baseadas em algo inalcançavel, em algo invisível, em algo que não se pode provar ou se definir, simplesmente um dogma, intelectualmente não vejo nenhuma vantangem em ser espirita ou "acreditar" em espiritos, pois assim só alimentamos a ignorânica e a mistica social.
Mauro, concordo plenamente. Isso que o pastor chama de “espiritualidade” na verdade é “humanismo secular”, uma filosofia de vida racionalista movida por razão e compaixão, sem absolutamente nenhum componente mágico. O comprometimento com um mundo melhor não tem absolutamente nada a ver com reverência a amigos imaginários nem com respeito a ordens hierárquicas invisíveis. É por isso que eu disse que “ao seu modo torto” o pastor estava correto. Em sua essência o discurso dele está correto. Seu erro foi apenas o de identificar uma fonte EXTERNA para o comportamento ético. É a famosa ALIENAÇÃO religiosa, que procura um componente estrangeiro para explicar a prática do bem.

Em seu livro "Deus um Delírio" Richard Dawkins especula se os religiosos moderados não seriam ainda mais perigosos que os fundamentalistas. Com seu liberalismo e boas maneiras, os moderados acabam virando garotos-propaganda da religiosidade, induzindo o rebanho a crer que seu modo de ser venha da fé e não de um senso natural de moral e ética. Instigados por esses bons exemplos, as mentes mais suscetíveis caem de cabeça nos livros sagrados e nos dogmas da fé. Aí é só uma questão de tempo até se depararem com os inevitáveis comandos para desprezar seu vizinho infiel ou matar os inimigos da religião verdadeira. Resultado: cada padre caridoso gera meia dúzia de carolas fanáticos, pois dá ao fundamentalista um exemplo da atuação de “Deus” no mundo. A alienação característica de religião induz a repetição deste erro, pois tira das pessoas a responsabilidade por seus próprios atos: se o doente se cura é por obra divina; se não se cura é porque não teve fé suficiente. (É um jogo onde só o espertalhão pode vencer: se der cara, eu ganho; se der coroa, você perde.)


"É inevitável: A religião termina e dá lugar à filosofia, assim como a alquimia dá lugar à química e a astrologia dá lugar à astronomia."
- Christopher Hitchens, autor do livro "Deus Não É Grande: Como a Religião Envenena Tudo", no programa "Lou Dobbs Tonight" (TV CNN, 3 de maio de 2007).

RSS

Support Atheist Nexus

Donate Today

Donate

 

Help Nexus When You Buy From Amazon

Amazon

AJY

 

© 2014   Atheist Nexus. All rights reserved. Admin: Richard Haynes.

Badges  |  Report an Issue  |  Terms of Service